Letícia Kamada

A gente vive em um mundo bem louco, essa é a verdade, tanto no quadro social, quanto político. As pessoas tem ido em busca de suas causas, seus sonhos, do seu progresso, lutado por mudanças, e com nós mulheres não tem sido diferente, a busca é constante, dentro e fora do cenário do Hip Hop.

Mas como ja dizia, Gabrielle Bonheur Chanel: “Uma menina deve ser duas coisas: Quem e o que ela quiser”. Por isso, vamos soltar algumas matérias e mostrar mulheres de força, atitude, empoderadas, de militância e que com certeza, você vai ouvir falar muito no nome delas, porque as minas estão produzindo trabalhos magníficos. Pode acreditar!

Nascida na Zona Leste de São Paulo e dona de uma belíssima voz, Pamela Carvalho, (Pamelloza) como é artisticamente conhecida, cresceu em meio a música graças a seus pais e principalmente a seu avô, grande incentivador e responsável por levar aos ensaios do seu grupo de Samba, “Jornada nas Estrelas”.

O dom musical veio de berço! Criada em uma família de sambistas que tinham verdadeiro amor pela música, estilos como o Black Soul e MPB, também foram referências fortes na vida da cantora. “Quando nasci o Rap tocava pelo Brasil, Entre a infância e minha adolescência, as rádios comunitárias tinham grande expressão dentro da periferia e lá sempre tocava muito RAP e foi inevitável não me identificar com essa forma de expressão”.

Pamela teve sua primeira experiência no Hip Hop como integrante do grupo de RAP Feminino Aclive, formado por 4 mulheres:  Klaujah Muniz, Bel Borges, Pamelloza e Dj Dani.

O CD intitulado “Pamelloza“, foi lançado recentemente, no final de 2016 mas teve inicio de produção desde 2012 no Studio Satori, com o músico Produtor Emerson Tripah, e finalizado com produção e arranjos do músico Produtor Madzoo no Zoo Internacional. O trabalho foi elaborado de forma totalmente independente, onde o duplicamento e divulgação foram feitas através do “Periferia Feminina, um pedaço da África“, um projeto da rapper Amanda Negra Sim, patrocinado pelo programa de Valorização de Iniciativos Culturais – VAI2.

“A ideia do CD é isso, trazer através da música uma boa energia pras pessoas… eu ouço música pra ficar contente. A Música é pra curtir!  A ideia do meu trabalho é que as pessoas ouçam a música e se sintam bem com ela, se divirtam, cantem, ou não… rs. A intenção é utilizar a música no contexto educacional e social. A música nos une, nos faz refletir e também aflorar o nosso ser.” 

Eu sou preta, não tenho mais o que falar“, o ato da militância política, também foi um exercício presente na sua família. Seu avó fazia parte do movimento sindical e utilizava a música como forma de expressão ao retratar o dia a dia dos trabalhadores da sua época. O CD vem com faixas que abordam diversos assuntos, também como uma forma de protesto e traz o seu ponto de vista ao longo da história a respeito da colonização.

O ano já começa pesado e promete várias novidades, uma delas é o clipe de Pode parar“, umas da músicas que compõe o seu novo trabalho, que ainda não tem previsão, mas tudo indica que ainda no primeiro semestre desse ano vai rolar.